A atuação da Fonoaudiologia na Paralisia Facial (Periférica e Central)
5/2/2026


A paralisia facial é caracterizada pela perda total ou parcial dos movimentos da face, podendo ser classificada como periférica quando há lesão do nervo facial fora do sistema nervoso central, como na Paralisia de Bell ou central, geralmente associada a eventos neurológicos como o Acidente Vascular Cerebral ou traumatismos cranianos.
Independentemente da origem, a fonoaudiologia tem um papel fundamental na reabilitação, atuando diretamente na recuperação de funções essenciais como fala, mastigação, deglutição e expressão facial funções que sustentam a comunicação e a qualidade de vida.
Por que realizar a terapia fonoaudiológica?
A face vai muito além da estética. Ela participa ativamente de funções vitais do dia a dia.
Alterações nos movimentos faciais podem comprometer:
• A articulação de sons como /p/, /b/ e /m/;
• A vedação labial durante a alimentação;
• O controle do alimento dentro da cavidade oral;
• A proteção das vias aéreas durante a deglutição;
• A comunicação não verbal por meio das expressões faciais.
Clinicamente, isso pode se manifestar como:
• Escape de líquidos pelo canto da boca;
• Acúmulo de alimento entre bochecha e gengiva;
• Dificuldade para sorrir, fechar os olhos ou movimentar a testa;
• Presença de sincinesias (movimentos involuntários e desorganizados).
A terapia fonoaudiológica atua diretamente na reorganização desses movimentos, prevenindo sequelas e restaurando a funcionalidade.
A reabilitação fonoaudiológica está fundamentada no princípio da neuroplasticidade, que é a capacidade do sistema nervoso de se reorganizar frente a uma lesão.
Evidências científicas indicam que a intervenção precoce:
• Acelera a recuperação funcional;
• Reduz o risco de sequelas permanentes;
• Diminui a ocorrência de sincinesias;
• Melhora o controle motor e a simetria facial.
Embora ainda existam variações nos níveis de evidência — especialmente pela escassez de estudos randomizados — há consenso na literatura sobre a eficácia de abordagens como:
• Cinesioterapia facial;
• Estímulos sensoriais;
• Recursos físicos e tecnológicos associados à terapia.
Como é o tratamento fonoaudiológico?
A condução terapêutica é estruturada, progressiva e individualizada:
1. Avaliação inicial
Análise da simetria facial em repouso e movimento, força muscular, presença de sincinesias e impacto nas funções orais.
2. Fase inicial (flácida)
Foco na proteção muscular e no início de estímulos sensoriais leves, como toque, massagem e termoterapia.
3. Fase de recuperação ou sequelas
Introdução de exercícios específicos:
• Isotônicos (com movimento);
• Isométricos (sem movimento);
• Dissociação motora;
• Treino funcional de fala e alimentação.
4. Alta terapêutica
Quando o paciente atinge funcionalidade adequada para comunicação e alimentação no dia a dia.
Recursos terapêuticos utilizados
A reabilitação facial hoje vai além do exercício manual. Ela integra tecnologia e estratégia clínica.
• Cinesioterapia facial: exercícios direcionados para cada grupo muscular da face
• Bandagem elástica (Kinesio Taping): facilita o alinhamento e o estímulo sensorial;
• Laserterapia de baixa intensidade: O uso do laser, especialmente na faixa infravermelha (780–830 nm), tem ganhado destaque na prática clínica. Seus efeitos incluem:
• Modulação do processo inflamatório;
• Estímulo à regeneração do nervo facial;
• Melhora da microcirculação local;
• Redução de dor e desconforto.
Quando associado à terapia fonoaudiológica, o laser potencializa os resultados, contribuindo para uma recuperação mais rápida e com menor risco de sequelas.
• Feedback visual (espelho/biofeedback): melhora o controle motor e a precisão dos movimentos.
Diferença entre paralisia periférica e central
Na prática clínica, entender essa diferença muda totalmente a condução terapêutica.
Paralisia periférica
Acomete toda a hemiface (testa, olhos e boca).
O foco está na reabilitação muscular local, prevenção de contraturas e controle de sincinesias, com maior uso de recursos físicos.
Paralisia central
Atinge predominantemente o terço inferior da face, com preservação da testa.
Frequentemente associada a alterações de fala e deglutição, exigindo uma abordagem integrada, com foco na reorganização motora cortical e funcional.
A atuação fonoaudiológica na paralisia facial vai muito além da estética. Ela devolve função. Devolve segurança na alimentação. E devolve a capacidade de se comunicar — inclusive sem palavras.
Com uma abordagem estruturada, baseada em evidência científica e associada a recursos como exercícios específicos, eletroestimulação e laserterapia, é possível promover uma recuperação mais eficiente e com menos sequelas.
Se você ou alguém próximo apresenta dificuldade para movimentar o rosto, falar ou se alimentar com segurança, a avaliação fonoaudiológica precoce é essencial.
Porque, na reabilitação… tempo é função.
Letícia Dornelass
Fonoaudiologa - UFES
Especialista em Fonoauiologia Neurofuncional
Especialista em Disfagia
Especialista em Cuidados Paliativos
Especialista Fisiologia do exercício
Especialista em voz
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